Escondidos dentro de grandes edifícios, submersos em tecnologia; misturados a fibra ótica, separados apenas por nossos computadores de mundos distantes, somos os novos humanos. Modernos macacos passando , atravessando este planeta em cibernéticos navios cruzando mares distantes. Mas de perto, quem somos? O mesmo macaco primitivo, intolerante, territorialista, guerreiro estúpido? Que mais somos? Somos humanos, costumamos dizer, não é mesmo?

Sem o nosso verniz cultural, podemos ver claramente os instintos animais que ainda temos lutando em estádios de futebol, ou lá do outro lado do mundo, matando alguns milhares de nossos semelhantes por algo criado por nós mesmos, chamado religião. Sério ?! Somos muito primitivos ainda…

Pensando assim sobre nós macacos humanos, lembrei de um livro muito legal que li algum tempo atrás. Chama-se O macaco nú de Desmond Morris. Desmond desnuda o Homo sapiens de suas diferenças biológicas, em suas manifestações culturais, tecnológicas e analisa aspectos de seu comportamento social, sexual, alimentar entre outros.

Desmond aproxima o ser humano de seus antepassados imediatos, constata que apesar de estar no topo da evolução, o ser humano não está tão distante quanto parece do primata que surgiu nas savanas a alguns milhares de anos. Refletindo sobre a sociedade ele desabafa: “Foi a natureza biológica da besta que moldou a estrutura social, e não a estrutura social que moldou a besta”.

É uma leitura muito agradável e divertida em alguns momentos, em uma linguagem bastante direta, sem o cientificismo de alguns acadêmicos. Muito boa leitura.

Cada macaco no seu galho:

Desmond fala sobre esse animal moderno chamado ser humano, por um lado apoiado em seus primitivos instintos e por outro lado com um pé na tecnologia. O mesmo animal primitivo que moldou essa complexa sociedade que vivemos, mas que parece certas vezes não acompanhar essa evolução.

O ser humano parece fazer questão de negar suas características animalescas, mas as carrega atado as suas costas, sofrendo as consequências das insanidades que comete, dificultando a compreensão de si mesmo, tornando este mundo um lugar de difícil convivência entre seus semelhantes e as outras espécies.

Mas o humano pode nos surpreender também ! O ser humano cria coisas maravilhosas assim como outras tantas terríveis. O humano cria arte, cria religião, cria ciência, descobre-se e reinventa-se. Ele até ri de si mesmo.

Esse nosso lado primitivo parece inspirar-nos, ou guiar-nos em muitos aspectos. O animal serve de inspiração ao homem. Jonathan Swift em As Viagens de Gulliver brinca com estas possibilidades dando aos cavalos (houyhnhnms) características humanas e aos humanos (yahoos) características animais. Inventamos fábulas, estórias mil onde os animais são a voz da consciência ou são deuses propriamente ditos. Como o macaco deus, o sagrado Hanuman.

Mndo dela

De acordo com os textos Védicos ele foi um personagem de muita influência no épico milenar Ramayana, onde lutou com os exércitos de demônios. As vezes ele pode ser visto abrindo o próprio peito para mostrar que Sita e Rama realmente residem em seu coração.

Ele pode ser visto também carregando uma enorme montanha na qual existiam as ervas necessárias para salvar Lakshmana, o irmão do rei Rama, que tinha sido ferido em combate. As lendas dizem que Hanuman possuía vários poderes místicos tais como tornar-se gigantesco ou minúsculo e voar como o vento. Ele é o filho de Vayu – o deus do vento, o ar da respiração e um dos deuses principais dos planetas superiores.

Dance monkeys, dance!

Macaco velho não põe a mão em cumbuca:

Difíceis questões! Afinal, somos mesmo este “macaco” moderno e evoluído. Somos uma espécie que pode se sobrepor a todo o “resto” das coisas viventes neste mundo ? Ou somos uma espécie que vai evoluir continuamente transformando-se em algo melhor? Para onde vamos? Para onde? Quem sabe ?!

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Um comentário para “O mundo onde macacos dançam”
  1. gostei muito. eu também vou nessa direção há um bom tempo já.
    quero entender, refletir, pensar cada vez mais e “certo” (essa palavra…).
    como disse thelonius monk: “estou em busca de novos acordes, novas figurações…”

Já que você leu até aqui, fique mais um minutinho e comente também ;)

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